A peleja de Campina com o monstro do açude

Autor: Alexandre Roque

Na cidade de Campina
Na serra da Borborema
Nunca se viu um problema
Que lhe mudasse a rotina
Mas essa paz celestina
Começou a se abalar
E a população de lá
Logo se desesperava
Menos Luiza que estava
Nas bandas do Canadá

Esse problema tão rude
Que incomodava a cidade
Era um monstro de verdade
Se levantando do açude
Acabando a quietude
Botando o povo a gritar
No meio do bafafá
Tudo se destrambelhava
Menos Luiza que estava
Nas bandas do Canadá

O povo fez uma prece
E depois saiu correndo
Fugindo do monstro horrendo
Do grande açude de Ness
E antes que anoitecesse
Conseguiram se achegar
Perto da beira do mar
Que de longe se avistava
Menos Luiza que estava
Nas bandas do Canadá

Um amigo da terrinha
Que veio na caravana
Ficou na minha cabana
Na praia de Camboinha
Servi feijão com farinha
Favada com munguzá
Doce de maracujá
Todos gostaram da fava
Menos Luiza que estava
Nas bandas do Canadá

O problema campinense
Sensibilizou a nação
A Igreja em oração
O povo todo em suspense
Do gaúcho rio-grandense
Ao caboclo do Pará
Pra ver os homens matar
Esse monstro que assustava
Menos Luiza que estava
Nas bandas do Canadá

O Governo decretou
Um estado de emergência
E aproveitando a urgência
Licitação dispensou
E muita coisa comprou
Sem ter que justificar
O povo deixou pra lá
E a peleja acompanhava
Menos Luiza que estava
Nas bandas do Canadá

Mas chegou o grande dia
De matar o monstro mau
A tropa caiu de pau
Começou a gritaria
Mas o monstro não saía
Nem com tiro de canhão
E a fera disse à nação:
- Nem tentem me dar pisa
Só saio quando Luiza
Retornar do Canadá

O povo desesperado
Já arrancando o cabelo
Viu que Luiza Rabello
Era a solução do Estado
Dilma mandou um recado
Pra todo mundo escutar:
- Luiza, venha pra cá
É aqui que você mora
Luiza venha simbora
E volte do Canadá!

E assim foi resolvida
A peleja de Campina
Logo a famosa menina
Foi por todos recebida
O monstro mau de saída
A cidade a festejar
E até o dia raiar
O povo comemorava
Menos Luiza que estava
De volta no Canadá...


(foto: G17)

2 comentários

Josemar Bandeira disse...

Muito legal o seu texto Alexandre,
belos versos sobre Campina Grande,
um texto, assim, tão bem humorado,
retira o homem do ritmo acelerado,
liberando a pobre mente para vadiar,
nos belos ritos da cultura popular.
Abração.

Alexandre Roque disse...

Valeu, Josemar! Abraço.

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